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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Movimento Operário em Portugal - Os princípios mutualistas

Na análise do percurso histórico do movimento sindical português, desde as organizações mutualistas, de carácter quase corporativo, até aos nossos dias, em que múltiplas correntes, tendências e até organizações coabitam no espaço do movimento sindical, não se pode nunca perder do horizonte que os sindicatos “têm como função defender os interesses sócio-laborais dos trabalhadores, interesses permanentemente postos em causa pelo patronato” (Abrantes, 1995)[1], pois só desta forma será possível interpretar um conjunto vastíssimo de dados que povoam a já longa historia do movimento sindical português.


Só em 1821 se viria a reconhecer (ainda que provisoriamente) a liberdade de organização em associações aos trabalhadores portugueses. A primeira associação só surgirá em 1838, em Lisboa, a “Sociedade dos Artistas Lisbonenses” que tinha como objectivos “Socorrer na doença as viúvas e órfãos com pensões e sustentar uma aula de instrução primária”. Apresentando-se claramente com uma função de esbatimento de algumas contradições e injustiças do sistema, e ainda não com cariz reivindicativo.


Em parte com base na estrutura da “Sociedade dos Artistas Lisbonenses” Em 1852 viria a nascer, também em Lisboa, o “Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas” que tinha na sua concepção os princípios do mutualismo e da conciliação de classe. Este ideário de feição socialista utópico viria mesmo a dominar as mais variadas organizações de trabalhadores portuguesas onde a orientação dominante apontava o caminho da mobilidade social pelo trabalho e o respeito interclassista apontando para o dever da protecção fraterna dos mais pobres.


[1] Abrantes, Domingos (1995) “Movimento Sindical. Organização Necessária e Indispensável” - Vértice

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